quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Absurdo: CUT e outras centrais apresentam ao governo proposta de redução dos salários como alternativa para conter a crise econômica

As notícias divulgadas nesta terça-feira (25), mais uma vez, tratam de novas investidas das maiores centrais sindicais do país, em números de entidades filiadas, na aplicação de uma política de conciliação de classes em prejuízo das conquistas e direitos dos trabalhadores. Segundo seus principais dirigentes “para garantir mecanismos que protejam o emprego em momentos de crise”. A “ofensiva” agora se explica em base a dois pilares: os fortes efeitos da crise econômica mundial em nosso país, com reflexos duros sobre a produção industrial, e o aprofundamento da aplicação de uma concepção sindical, que sepulta os fundamentos classistas do nascedouro de algumas delas, como por exemplo a CUT.

“Não é um programa que discuta uma dificuldade momentânea da empresa por uma questão particular. Seria por crise econômica constatada pelo Ministério do Trabalho e da Fazenda. Não é opinião do empresário e nem do trabalhador”, fundamenta entusiasmado Wagner Freitas, presidente da CUT. Com essa postura, o dirigente sindical escancara a visão de mundo de sua central, que passa a propagar o Estado capitalista como neutro e independente das classes sociais. Concluindo, portanto, que nós, trabalhadores e trabalhadoras, devemos depositar nesse mesmo Estado, toda nossa confiança.

Wagner ainda afirma “haveria redução da jornada de trabalho e dos salários e o governo, por sua vez, abriria mão de alguns tributos – não especificados – além de contribuir com recursos para que o salário do trabalhador não caia muito”. Viram? Pois é, para que o salário do trabalhador não cai “muito”, o governo vai reduzir impostos para os empresários e ainda, com recursos públicos, pagaria uma pequena parte do salário do trabalhador que fora cortado pela empresa. Como se diz pelas bandas do Norte do Brasil: “taí um garimpo sem malária” para o empresariado brasileiro. Ou seja, a CUT e as centrais oficialistas, armando com o governo Dilma-PT e os patrões pra cima dos direitos dos trabalhadores.

Na reunião ocorrida hoje no Ministério da Fazenda, participaram também a Força Sindical, a CTB, a UGT e a NCST. Ao que parece, todos os atores presentes defenderam esse novo modelo e vão acelerar essa emblemática iniciativa de colaboração de classe, combinando, evidentemente, todo apoio ao governo petista no Palácio do Planalto.

Não é primeira vez que a CUT tenta facilitar a vida das empresas. No final de 2013, a partir do sindicato do ABC, tentou emplacar o chamado ACE (Acordo Coletivo Especial). Neste tipo de acordo, sempre defendido pela tucanalha, o negociado prevaleceria sobre o legislado. Essa proposta foi derrotada porque nossa Central, a CSP-Conlutas, em unidade com outras centrais e inúmeras entidades sindicais e do movimento popular, algumas filiadas à própria CUT, desencadeou uma Campanha Nacional contra o ACE, acusando-o de responder somente aos interesses dos empresários.

Estamos chamados a lutar contra mais esse ataque. Trata-se de um desafio que nos exigirá ampla unidade de ação entre os sindicatos, federações, confederações, centrais sindicais e movimentos sociais em geral. Os trabalhadores não devem pagar pela crise! Eis uma bandeira tão atual, quanto a necessidade de lutarmos em defesa de nossos direitos. Para obtermos êxito nessa batalha, é preciso levantar bem alto as bandeiras do classismo, da independência frente aos governos e patrões e apostar na combatividade de nossa classe, na luta direta e nas ruas.

Exigimos da CUT e das demais centrais que rompam com governo, abandonem essas negociações e juntem-se à luta em defesa dos empregos e dos direitos dos trabalhadores. Para proteger os trabalhadores da crise, Dilma-PT deve editar uma medida provisória que impeça a demissão em todas as empresas que se beneficiaram de isenções de impostos e financiamentos públicos, bem como nas empresas envolvidas em escândalo de corrupção.

- Redução da jornada sem redução salarial!

- Não as demissões em empresas que se beneficiaram de isenções de impostos e financiamentos públicos!

- Nenhum direito a menos. Contra a terceirização e a precarização do trabalho!

Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas

domingo, 3 de agosto de 2014

Porque manter a greve e não recuar

Em 2014 se completam 50 anos do golpe militar de 1964, que deu início a uma ditadura sangrenta que durou 20 anos. Contudo a decisão da juíza, ao acatar o pedido do prefeito Roberto Cláudio de suspender a greve dos professores e proibir qualquer tipo de reunião nas proximidades das escolas, causa frio na espinha daqueles que foram perseguidos, presos e torturados na ditadura. Infelizmente, isso não é um fato isolado. Após as mobilizações de junho de 2013, milhares de ativistas estão sendo investigados, processados e presos por lutar. Há em curso uma ampla perseguição aos movimentos sociais e, sobretudo, ao direito de greve (só visto no período da ditadura).

Uma Justiça que silencia quando o prefeito retira das escolas os porteiros expondo as crianças ao perigo, fecha bibliotecas e laboratórios de informática, reduz tempo de creche para criança, não garante professores para todas as turmas e não cumpre a lei do estatuto do magistério e nem a lei do piso e é acusada de vender sentenças, não tem respaldo para por fim a nossa luta. 

Além de tudo isso, a Prefeitura tenta aniquilar de vez com qualquer autonomia das escolas, quando tenta aprovar seleção para diretor de forma permanente e organizar grêmios e conselho escolar a serviço da gestão, onde também o diretor poderá contratar professores a seu bel prazer. Esses diretores que estão cumprindo um papel nefasto na nossa greve, quando em defesa de seus interesses próprios, sua gratificação, vêm assediando moralmente professores que lutam heroicamente pelo bem coletivo da educação e da categoria.

Por tudo isso companheiros, não nos resta outra alternativa que não seja manter a greve, pois recuar agora significa abrir um longo período de retrocesso para a educação e em nossas condições de trabalho.

Precisamos chamar a solidariedade dos sindicatos, das centrais sindicais, dos movimentos sociais; realizar zonais em todas as regionais, mobilizar toda a categoria para assegurar o direito de greve e o direito de decidir o destino de nossa luta.


- Da redução de carga horária não abro mão! Licença Prêmio já! 1/3 de planejamento para todos!

- Pagamento de todos os anuênios! Nenhum direito a menos!

- Liberdade de manifestação e expressão! Em defesa do direito de greve!

- Contra a criminalização dos movimentos sociais! Ditadura nunca mais!

- Eleições diretas para diretor! Concurso público já! Vale alimentação de 15 reais!

Resistir até a vitória!